Nesta terça-feira (29), a ADUSC recebeu, em sua sede, a professora Nádia Correia Silva, docente substituta do Departamento de Letras e Artes (DLA) da UESC. O momento contou com um bate-papo sobre o sindicato, a universidade e os desafios enfrentados por pessoas surdas no ambiente acadêmico.

Participaram do encontro as professoras Nane Albuquerque, presidenta da ADUSC, e Lucília Lopes, 1ª suplente da entidade. Durante o encontro, Nádia se associou ao sindicato e recebeu um kit de brindes da campanha de filiação promovida pelo ANDES-SN.

“Quero ter mais contato com a ADUSC e contribuir para que o sindicato conheça as demandas que nós temos. A ADUSC tem um papel importante no incentivo e também na cobrança para que a universidade avance na construção de um ambiente cada vez mais acolhedor”, afirmou a docente.

Convocada para atuar na disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras), Nádia também falou sobre os desafios enfrentados por pessoas surdas em espaços coletivos, especialmente no ambiente universitário.

“Eu ainda enfrento barreiras. Ano passado, por exemplo, havia uma intérprete nas reuniões, mas que atuava sozinha. Muitas vezes isso prejudicava a qualidade da tradução, pois ela cansava, sem contar os dias em que ela precisava faltar e eu tinha prejuízo na compreensão das reuniões. Está na lei que a substituição e o revezamento de intérpretes são necessários. Precisamos ter essa consciência. Ainda hoje a UESC disponibiliza apenas uma única intérprete”, disse.

A professora Nádia Silva é graduada em Licenciatura em Letras-Libras, pós-graduada em Língua Brasileira de Sinais e especialista em Educação Especial Inclusiva, além de outras formações acadêmicas.

Também integrante da Área de Libras do DLA, a professora Lucília Lopes destacou a importância da recepção e do diálogo promovidos pela ADUSC.

“É muito importante que a ADUSC tenha esse papel de recepcionar os professores para ambientá-los e conhecê-los. A ADUSC também tem uma atuação voltada a grupos minoritários na universidade, incluindo professores com deficiência. Nessa esteira, homenageamos a comunidade de pessoas surdas no Dia Nacional, 26 de setembro, e, por temos na casa uma docente surda, a professora Nádia, fizemos o convite para este encontro hoje”, explicou.

Lucília ressaltou, ainda, os direitos que precisam ser garantidos às pessoas surdas.

“Há uma língua de sinais oficializada, mas que é minorizada, pois não há acessibilidade comunicacional nos espaços. E isso pode ser garantido de diversas formas, como instalação de telas com Vídeo-Libras nos corredores, editais também com esse tipo de recurso e, acima de tudo, uma política de acessibilidade que oriente os colegiados, departamentos e equipes técnicas como agir”, afirmou.

Em relação à UESC, a docente avaliou que houve avanços nos últimos anos no acolhimento de pessoas surdas, mas ponderou que são iniciativas em serviços pontuais e não com base em uma política institucional, que seria o ideal.

ADUSC em Libras

A UESC recebeu, na segunda-feira (28), uma atividade em alusão ao Dia Nacional da Pessoa Surda. A programação contou com a professora Matilde Menezes como palestrante.

Ao final do evento, a docente criou um sinal em Libras para a ADUSC, que passa a ser a forma como a entidade será identificada pela comunidade surda baiana e nacional. Veja abaixo:

A ADUSC agradece a visita e a confiança da professora Nádia e reafirma seu compromisso com um modelo de universidade acessível e acolhedor para todas as pessoas.